Neste início de 2009, as perspectivas têm de ser otimistas, visto que nada pode ser pior do que a série de eventos econômicos de 2008, que culminaram numa recessão global. Quando estourou a bolha imobiliária nos Estados Unidos, um político irlandês declarou: “Isso é um problema dos americanos, então eles que sofram”. Mas logo ficou claro que o problema dos EUA já havia sido exportado para toda parte, uma vez que muitos bancos estrangeiros acharam que era uma boa idéia investir na bolha imobiliária americana.
Depois, o governo americano, assim como outros governos, decidiu dar uma força, oferecendo bilhões de dólares de ajuda aos banqueiros desastrados. A idéia era pôr os negócios imobiliários outra vez de pé e reerguer os mercados de crédito. Mas os bancos pegaram o dinheiro e decidiram estocá-lo, com medo de fazer algo estúpido. Então as economias entraram todas em marcha lenta. Isso resultou em deflação, algo que assusta os economistas porque ninguém sabe o que fazer com ela.
Curiosamente, os negócios de alta tecnologia, em especial nas áreas de semicondutores e discos rígidos, estão em constante estado de deflação e, apesar disso, conseguiram sobreviver todos esses anos. Tem sido assim desde o primeiro semicondutor. O fenômeno foi explicado pela Lei de Moore, a qual afirma que o número de transistores num chip dobra a cada 18 meses. Mas como o tamanho do chip é o mesmo, torna-se necessário igual valor em dinheiro para produzi-lo. Assim, cada novo processador faz a geração anterior valer a metade. Portanto, até agora, tudo que temos na área de computadores perde valor com rapidez. Trata-se de um tipo de depreciação diferente daquela que se verifica com bens usados, como automóveis, que perdem preço com o uso. A deflação faz parte da tecnologia.
O que assusta os economistas no caso da deflação é que, supostamente, se o produto se torna muito mais barato, as pessoas vão deixar de comprá-lo, sempre esperando que o preço caia ainda mais. Isso pode ser verdade, mas somente para bens de que não precisamos com frequência. Ninguém fica esperando para comprar leite mais barato, por exemplo. Mas para casas, carros e outros itens de valor elevado, as pessoas esperam. Com a inflação, acontece o oposto. É preciso comprar logo, senão paga-se mais caro. Mas esses momentos deflacionários duram pouco.
A recessão tem atingido as empresas de computação e as força a repensar suas estratégias de marketing. Se você pensava que computadores eram um bom negócio, espere para ver o que vem vindo. Já estamos vendo laptops potentes vendidos por menos de 500 dólares. Em poucos meses, vai ser difícil achar um notebook que custe mais de mil dólares.
Desde o colapso das empresas pontocom, no ano 2000, a economia passou quase uma década esperando um fato que marcasse o fim daquele fiasco. Demorou, mas chegou, com bastante atraso. É isso: a crise de agora assinala o fim da bolha pontocom. Para mim, é como apertar o botão Reset e esperar dez anos para a máquina reiniciar. Bem, finalmente ela deu partida, e agora podemos ver qual rumo os negócios vão tomar.
Por John C. Dvorak
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